quinta-feira, 4 de março de 2010

AVALIAÇÃO

Avaliação

As metodologias de Avaliação expressam as concepções pedagógicas que cada professor constrói historicamente. Os elementos culturais e sociais das experiências coletivas e individuais interferem e refletem nas escolhas metodológicas que pautam a atividade de ensino. Os princípios pedagógicos, portanto, não são elementos que podem ser analisados isoladamente à estrutura econômica, cultural e política das sociedades, pois carregam marcas e práticas calcadas na ação, produção e reprodução do homem. A avaliação que se pretende, segue os princípios de globalidade, processualidade e contextualização:

- Globalidade – avaliar considerando o todo, e não somente partes isoladas. A visão cartesiana e reducionista da matéria precisa ser ultrapassada a fim que o processo de aprendizagem seja compreendido como um complexo. Significa, romper com as estruturas do indivíduo que foram isoladas: cognitiva, social, afetiva e psicomotora, bem como com a estrutura curricular fragmentada em disciplinas e áreas, proporcionando, assim, a visão sistêmica da realidade/indivíduo. É preciso efetivamente recompor o todo para conhecer as partes (Morin, 2000).

- Processualidade – avaliar não como um fim, mas como um meio, considerando e promovendo as mudanças desejadas. Admitir o movimento e acreditar que tudo está num constante vir-a-ser. Avaliação como processo significa torná-la meio para se alcançar determinados fins. Dito de outra forma, a avaliação é o processo que permite a retomada e revisão dos objetivos e das metodologias de ensino e aprendizagem da classe e da instituição.

A avaliação escolar é um processo pelo qual se observa, se verifica, se analisa, se interpreta um determinado fenômeno (construção do conhecimento), situando-o concretamente quanto os dados relevantes, objetivando uma tomada de decisão em busca da produção humana. Segundo Luckesi, avaliar tem basicamente três passos: conhecer o nível de desempenho do aluno em forma de constatação da realidade; comparar essa informação com aquilo que é considerado importante no processo educativo. (qualificação); tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados.

- Contextualização – avaliar considerando o ser como situado historicamente, que apresenta características culturais e sociais que configuram sua identidade. A compreensão dessa realidade possibilita a aprendizagem através das diferenças, do respeito à diversidade e do enfrentamento aos desafios cognitivos, sociais e afetivos.
Necessitamos de noções complementares para melhor compreender a dinâmica da realidade que se apresenta ora como onda, ora como partícula. E este lado complementar da natureza da matéria, quando associado ao princípio da Incerteza, nos mostra que sujeito e objeto estão intrinsecamente relacionados, que o indivíduo não está separado de seu contexto, revelando, assim, a sua dependência em relação ao ambiente onde está inserido (Moraes, 2004).

Os princípios expressos contêm fortes influências do Pensamento Complexo descrito por Edgar Morin (2000) e delineiam um paradigma avaliativo fundamentado na mudança atitudinal, procedimental e conceitual da atividade docente necessária para o século XXI.

Existem pelo menos quatro tipos de avaliação, que combinados de uma forma harmônica e adequada para o grupo de alunos, são capazes de compor o processo de avaliação. Segundo Blaya (2003), algumas formas de avaliação devem ser analisadas, pois dependendo de cada situação, uma forma de avaliação deve ser aplicada.

- Avaliação Somativa, como próprio nome indica, tem como o objetivo representar um sumário, uma apresentação concentrada de resultados obtidos numa situação educativa. Pretende-se traduzir, de uma forma quantificada, a distância em que ficou de uma meta que se arbitrou ser importante atingir. Essa avaliação tem lugar em momentos específicos ao longo de um curso, como por exemplo, no final de um ano letivo.

- Avaliação Formativa é a forma de avaliação em que a preocupação central reside em coletar dados para reorientação do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma "bússola orientadora" do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação formativa não deve assim exprimir-se através de uma nota, mas sim por meio de comentários.

- Avaliação Diagnóstica tem dois objetivos básicos: identificar as competências do aluno e adequar o aluno num grupo ou nível de aprendizagem. No entanto, os dados fornecidos pela avaliação diagnóstica não devem ser tomados como um "rótulo" que se cola sempre ao aluno, mas sim como um conjunto de indicações a partir do qual o aluno possa conseguir um processo de aprendizagem.

- Avaliação Emancipadora utiliza-se do senso de autocrítica e autodesenvolvimento do aluno, através de instrumentos como a auto-avaliação, a co-avaliação. Nesse modelo, o professor torna-se um tutor e emite suas opiniões através de relatórios do processo evolutivo do aluno.

A avaliação constitui-se matéria imprescindível para a implantação e implementação de projetos pedagógicos, seus princípios e funções orientam e definem as ações que promoverão as aprendizagens e o bom desempenho da gestão pedagógica. Neste caso, as ações que serão desenvolvidas em caráter geral são: Formação Continuada da Educação Infantil, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (Programa Pró-Letramento), Programa Escola Ativa e outros internos das unidades urbanas e rurais.

O desenvolvimento de conhecimentos ampara-se nas funções diagnóstica, formativa, e somativa, tais categorias funcionais da avaliação apresentam distintas funções, contudo devem estar diretamente relacionadas e estreitamente ligadas em sua complementaridade.

O conhecimento da realidade e condição preliminar para o planejamento: a determinação de objetivos, a seleção dos conceitos a serem aprendidos e os procedimentos metodológicos devem ser orientados pelo diagnóstico realizado pelos alfabetizadores no inicio deste ano letivo, considerando que a avaliação diagnóstica abrangerá a caracterização individual e coletiva da turma, bem como seu conhecimento prévio no que concerne a linguagem alfabética, numérica e aos aspectos sociais, afetivos e culturais, tais informações serão essenciais para o planejamento, organização e execução das ações propostas para este ano letivo na busca pela melhoria da qualidade da educação oferecida pelas escolas da Rede Municipal de Ensino.

REFERÊNCIAS

BLAYA, Carolina. Processo de Avaliação, 2003, Disponível em http://www.ufrgs.br/tramse/med/textos/2004_07_20_tex.htm.%20acessado%20em%2023-02-2010.

LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Ed. Cortez, 2000.

MORAES, Maria Cândida. Pensamento Eco-Sistêmico, educação, aprendizagem e cidadania no Século XXI. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, UNESCO, 2000.

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